O atendimento pré-hospitalar é o socorro prestado à vítima antes de ela chegar ao hospital, seja em ruas, residências, rodovias ou locais de difícil acesso. Trata-se, portanto, de uma área que une velocidade, técnica e sangue-frio, e na qual a enfermagem tem papel central. Afinal, os primeiros minutos após um acidente ou mal súbito costumam ser decisivos. Justamente nesse intervalo, então, a equipe atua. A seguir, veja como funciona e o que é preciso para trabalhar nesse campo.
O que é atendimento pré-hospitalar (APH)
Em primeiro lugar, o atendimento pré-hospitalar reúne os cuidados de urgência e emergência destinados a vítimas de trauma, mal súbito, violência e crises clínicas ou psiquiátricas. O objetivo, basicamente, é estabilizar o paciente de forma rápida e segura e, em seguida, transportá-lo para a unidade de saúde mais adequada.
APH fixo e APH móvel
Na prática, o atendimento pode ser fixo, realizado em unidades como UPAs e prontos atendimentos, ou móvel, quando a equipe vai até a vítima por meio de ambulâncias. Vale notar que o APH móvel é coordenado por uma Central de Regulação das Urgências, que define o recurso adequado para cada chamado e, quando necessário, orienta a equipe à distância.
Que tipos de ocorrência o APH atende
A variedade, de fato, é grande: acidentes de trânsito, quedas, paradas cardíacas, infartos, AVCs, crises respiratórias e partos de emergência, entre outros. Por isso, cada situação exige um protocolo, e a equipe precisa estar preparada para agir com segurança em ambientes nem sempre favoráveis.
Como funciona o APH no Brasil
No país, o atendimento envolve principalmente o SAMU 192, o Corpo de Bombeiros e empresas privadas de remoção. Historicamente, o sistema foi estruturado pela Portaria GM 2.048/2002, que criou o Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Logo depois, a partir de 2003, foi implantado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU.
Na chegada ao local, então, a equipe segue um protocolo de avaliação e estabiliza a vítima com intervenções como controle de vias aéreas, oxigenação, contenção de sangramentos e imobilização. Em seguida, mantém o monitoramento durante o transporte e, ao mesmo tempo, comunica-se com o hospital de destino.
Suporte básico e suporte avançado de vida
Além disso, o APH se organiza em níveis. No Suporte Básico de Vida (SBV), por exemplo, são feitas intervenções não invasivas, e o técnico de enfermagem tem atuação reconhecida conforme suas competências. Já no Suporte Avançado de Vida (SAV), há procedimentos mais complexos, com a presença do enfermeiro e do médico. Entre os dois, ainda, existe o Suporte Intermediário (SIV), executado pelo enfermeiro em conjunto com o técnico.
Quem faz parte da equipe
O socorro, vale ressaltar, é sempre um trabalho coletivo. Dependendo do nível, a equipe reúne médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e condutor socorrista, além do apoio de bombeiros e da regulação. Cada um, portanto, tem um papel definido, e a comunicação entre eles é o que garante agilidade. Os veículos, por sua vez, contam com equipamentos como desfibrilador, materiais de imobilização, oxigênio e medicações de urgência.
O papel da enfermagem no APH
A enfermagem, de fato, está presente em todas as frentes do atendimento pré-hospitalar: no socorro direto, no gerenciamento e na regulação. Atualmente, essa atuação é normatizada pela Resolução Cofen 713/2022. Segundo a norma, o enfermeiro atua no SBV, no SIV e no SAV, enquanto o técnico atua no SBV e compõe equipe com o enfermeiro nos demais níveis. Por isso, trata-se de uma atuação que exige preparo técnico, físico e emocional. Inclusive, a Portaria 2.048/2002 prevê capacitação específica, com cerca de 130 horas para o enfermeiro e 154 horas para o técnico. Para conhecer as atribuições completas, então, consulte o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
Perfil e desafios do profissional de APH
É preciso reconhecer, porém, que atuar no APH não é para qualquer um. Afinal, a rotina envolve plantões intensos, decisões rápidas e forte carga emocional. Dessa forma, equilíbrio emocional, trabalho em equipe e atualização constante são tão importantes quanto a técnica. Em contrapartida, quem se identifica com a adrenalina do socorro encontra na área uma carreira desafiadora e gratificante.
Como atuar na área
Por fim, para trabalhar com urgência e emergência, o caminho é a formação técnica somada a uma capacitação específica em APH, com treinamento prático e simulações.
Portanto, conheça o curso de atendimento pré-hospitalar da Escola Myrthes Silva. E, se você ainda está começando, veja antes como funciona o curso técnico de enfermagem, a base para atuar com segurança no socorro a vítimas.
